sábado, 19 de maio de 2012

"PALAVRAS AO VENTO"




PERTO DEMAIS DE DEUS
Chico César

Tem gente perto demais de Deus
Tem que não deixa Deus sozinho
E diz Deus ilumine seu caminho
E guarda Deus na cristaleira
Cristo perto dos cristais
Cristo assim perto demais
Cristo já é um de nós
Carne e osso pão e vinho
Tem gente que não deixa Deus em paz
Tem gente incapaz de viver sem Deus
E o trata como um funcionário seu
Deus me livre Deus me guarde Deus me faça a feira
Cristo dentro da carteira
Dez por cento rei dos reis
Cristo um conto de réis
O garçom não à videira
Essa gente é o diabo e faz da vida de Deus um inferno

Fonte: Chico César. Beleza mano. MZA Music/Polygram. 011245-2. 1997.


LAMENTAÇÕES DA RUA UBALDINO

no princípio era o silêncio
na Rua Ubaldino
eis que o número 666
da Igreja Central Irmãos Cenobitas
ergueu cartazes
anunciando sinais e prodígios
não a flauta doce e harpa eólia
para louvar o Senhor
mas a caixa de ressonância
da buzina do Juízo Final
e o amplificador dos agudos desafinados
de Gog e Magog
além da mão esquerda
não saber o que faz a direita
as duas juntas
rompem no batuque iconoclasta do bombo
nunca tal se viu na Rua Ubaldino
de hospital escola gente calada
irmão cenobita ó irmão cenobita
que torturas o sossego
e flagelas os que te são vizinhos
cego e surdo
à perturbação do descanso público
por tuas guitarras e baterias de mil decibéis
serás condenado
bandinha maldita
nunca mais nasça ruído de ti
lançada no fogo eterno
com gritos e ranger de dentes
ai de ti que furtas ao próximo
o bem da quietude
uma grande heresia
se levantou entre nós
pedes num prato a cabeça esfolada viva
do silêncio
ó araponga fanha
da torre cenobita de Babel
sobre teus moucos pastores
caia o sangue do sossego profanado
trazes o alto-falante
onde cantavam o sabiá a corruíra o bem-te-vi
os testemunhos são conformes
é um protesto só
tu adorador da estridência
alarido cacofonia
ocupado em afligires
os que estão em calma
desarmonia o teu nome
porque ninho de muitos demônios
comilões da paz e beberrões do vinho
da poluição sonora
quando entrarão na vara de porcos
e no lago se afogarão?
perversa é essa igreja
e mais barulhenta que todas
ai de ti irmão ai de ti cenobita
importuno e molesto
angustias a alma da rua inteira
não te assentarás na cinza
nem te arrependerás do teu sacrilégio?
sepulcro aberto
empestam os ares as tuas blasfêmias
tua sentença é a execração pública
tu mesmo a pronunciaste
em vez do culto em surdina
propagas o escândalo sobre os telhados
sons malignos que não se podem aturar
de altíssimos que são
o Senhor dos Exércitos enviará maldição
aos predadores do sossego
és tu cenobita
atormentador do teu vizinho?
essa igreja central é um estrondo
deixou passar o tempo assinalado
morada de dragões
matracas e baitacas
onde o fiscal?
onde a lei do silêncio?
onde o que conta os decibéis?
o inimigo da Rua Ubaldino
nesse mesmo número 666
uiva baterista clama guitarrista
rebolai-vos no pó da danação
à tua porta já batem as duas ursas
chamadas por Elias
cala-te aquieta-te irmão cenobita
afasta de nós esse cálice da balbúrdia
e da aflição de espírito
casa de oração convertida em covil
de salteadores da paz
não o pão
mas a pedra dodecafônica
não o peixe
mas a serpente da caixa de ressonância
não o ovo
mas o escorpião do amplificador
amigo a que vieste?
mais fácil passar um camelo
pelo fundo da agulha
do que entrar um guitarrista cenobita
no reino de Deus
dura é essa barulheira
quem a pode suportar?
filhos da Rua Ubaldino chorai
sobre o fim da paz e do sossego
ah! espada do Senhor
até quando descansarás na tua bainha?

Fonte: TREVISAN, Dalton. Dinorá: novos mistérios. Rio de Janeiro: Record, 1994.



           "PALAVRAS AO VENTO"
            Por Fábio Brito
         
            Estive, dias atrás, pensando no seguinte: de duas décadas para cá, só para tentar marcar um período, quantas pessoas próximas ou conhecidas resolveram "pregar a palavra de Deus"? Muitas, respondo sem titubear. Não raro, encontro alguém que não vejo há anos e... ele está totalmente diferente: estranho e com um discurso esquisito. Meu velho conhecido está, enfim, transformado. Conversa vai, conversa vem, eis que fico sabendo que ele está "pregando a palavra de Deus". Foi mais um escolhido. Porque "poucos são os escolhidos", apesar de muitos terem sido chamados, esse amigo é mais um a engrossar a fila dos que participaram da "cerimônia da sagração". É... agora, há muita gente por aí que tem ouvido "o" chamado. Por isso, é preciso pregar. E pregar muito! Exatamente por isso, precisa sair por aí "pregando a palavra de Deus" a quem quer que seja, até ao vento. E dana 'me' fazer convite, e dana 'me' entregar panfleto, e dana falar disso e daquilo. Sinceramente, não dá. "De fininho, vou tirando meu carro", como se dizia tempos atrás. 
          Nessa história dos que ouviram o tal chamado, fico pensando em três grupos: os que lideram, os que são liderados e, recorrendo a termos próprios do futebol, os "que chutam e pegam no gol", ou seja, que lideram e são liderados "ao mesmo tempo". Entre os primeiros, os que lideram, tenho percebido muito charlatanismo. É evidente a (não)compreensão do texto de que se dizem conhecedores, ou seja, o texto bíblico, que, como todos sabemos, é extremamente complexo. Metaforizado ao extremo, não oferece quaisquer facilidades de compreensão até mesmo para quem tem um excelente domínio da língua portuguesa e da literatura. Agora, contem para mim: uma pessoa "sem leitura", não escolarizada "dá conta" desse texto? Não é preconceito, mas não dá. Então, ela faz o quê? Simplesmente diz que faz pregações. Mas prega o quê? O que pensa que sabe, claro! O que pensa que entendeu. E os que estão no segundo grupo? Os que ouvem? Simplesmente acreditam. Acreditam em quê? Nas inverdades que ouvem, claro! Nas tais falsas interpretações. E aí? Aí, ergue-se o império do absurdo e do surreal. Vez ou outra, "en passant", escuto cada absurdo de "interpretação", que fico pensando se não se trata de delírio meu.
          Em outro grupo, o terceiro, o dos que "chutam e pegam no gol", há mais bizarrismo ainda quanto à pregação da palavra de Deus. Outro dia, caminhando, surgiu a ideia de discorrer sobre esse grupo, o da "pregação solitária". Vamos aos fatos! Já faz um bom tempo que venho observando um pregador solitário da palavra de Deus que se instalou em um dos trechos da rua - bem movimentada, por sinal - em que caminho. Sem quaisquer constrangimentos, ele põe sua caixa de som em uma calçada e, ao microfone, começa a pregar a palavra de Deus. No entanto, ele prega essa palavra... ao vento! A cena é patética. Ou melhor, não só ao vento ele prega, mas aos carros que passam em alta velocidade. Inacreditável, não?! Pois é, no ponto escolhido, não há semáforo ou algo que, pelo menos,  faça os carros passarem mais devagar. Há uns dias mesmo, escutei esse pregador dizer que todos (?) aos quais ele pregava estavam convidados para um grande "encontro" que se realizaria ali mesmo, daí a poucos minutos: às 20 horas, para ser preciso.  Ok. Convite feito, pensei. Será que, além do "caminhante" aqui, alguém mais ouviu o tal convite? O ponto de ônibus mais próximo fica a uma boa distância. Rapidamente, dei uma olhada para as casas ao redor. Não havia ninguém nas janelas. Se houvesse, quem sabe alguém se interessaria pelo convite...? Meu Deus, o rapaz falava como se, à sua frente, houvesse grande e atenciosa multidão. De onde vem isso? De onde veio essa ideia de "jogar palavras ao vento"? Quem o teria instruído a fazer isso? Para quê? Com que finalidade? 
          Nesse caso aí, o de nosso pregador solitário, fica claro para mim o fanatismo. Tudo bem. Podem alegar que Deus está ouvindo (sempre esteve!) as palavras de nosso solitário amigo. E está mesmo, não duvido. Entretanto, muita gente há de concordar comigo: Deus também ouvirá essas palavras se elas forem ditas em um cantinho reservado, solitário, quieto. Não há necessidade de saírem às ruas para isso ou gritarem essas palavras em espaços diminutos onde qualquer sussurro já seria ouvido. Em um cômodo de poucos metros quadrados, em que não há necessidade de microfone, caixa de som e amplificadores, há muitos que desandam a gritar,  a pular e, até mesmo, a vociferar. O que fazem não me parece algo diferente de uma grande encenação! Porque têm um discurso (pseudo)convincente, conseguem a atenção de muitas pessoas. Decoram certos fragmentos do texto bíblico (mas não os interpretam) e dizem-se estudiosos da palavra de Deus. Estudiosos?! Todo estudioso é, antes de tudo, alguém que se dedica com afinco a seu material de estudo e não tem nunca certezas cegas. Ao contrário, é alguém que aprendeu a relativizar. Não é um parlapatão bipolar para quem só existem dois mundos: o dos "bonzinhos" e o dos "ruinzinhos". Nesse caldeirão dos que se dizem estudiosos, o que não falta é oportunismo. 
          E é claro que, junto com o oportunismo de uns, caminha o fanatismo de outros. Não se pode desconsiderar isso. Certa vez, ouvi de uma amiga que sua fé era racional. Atentei para isso, porque eu não imaginava que a fé poderia ser racional. Não esqueci mais esse ensinamento. E o que vemos por aí é pura fé emocional (não de todos, claro!). Pior: emocional beirando o delírio, o desespero, a alucinação. Pessoas enlouquecendo de fato. É puro fanatismo mesmo! E tenho medo de fanatismo. Medo mesmo! E o fanatismo religioso, como eu já disse em outro texto, é o mais perigoso de todos, porque mais virulento. Em nome de um "Deus" castrador, que privilegia alguns, muitas pessoas estão por aí cometendo atrocidades e mais atrocidades. Aonde vamos chegar? Muitos, se existir justiça, já sei para onde vão...
  

TEOFANIA
Chico César - Bráulio Tavares

Além do bem e do mal
Com seu amor fatal
Está o ser que sabe quem sou

No tempo que é um lugar
No espaço que é um passar
Espreita-nos um olhar criador

Muitos me dirão: que não!
Que nada é divino: nem o pão, o vinho,
a cruz
Outros rezarão: em vão!
Pois nada responde e tudo se esconde:
em luz

Deus do roseiral, do sertão
Do ramo de oliveira e do punhal
Deus dos temporais, dos tufões
Da dúvida, da vida e a morte vã

Quanta solidão e eu não sei
Se homem só suportarei
Um sinal, um não,
e silencie, aqui e além, a dor

Deus das catedrais, dos porões
Da Bíblia, do Alcorão e da Torá
Deus de Ariel e Caliban
Da chuva de enxofre, do maná

Quanta solidão e eu não sei
(...)

Fonte: Chico César. Respeitem meus cabelos, brancos. MZA Music/Abril Music. 2407001-2. 2002.


PROCISSÃO
Gilberto Gil

Olha lá vai passando a procissão
Se arrastando que nem cobra pelo chão
As pessoas que nela vão passando
Acreditam nas coisas lá do céu
As mulheres cantando tiram versos
Os homens escutando tiram o chapéu
Eles vivem penando aqui na Terra
Esperando o que Jesus prometeu

E Jesus prometeu vida melhor
Pra quem vive nesse mundo sem amor
Só depois de morrer neste sertão
Eu também tô do lado de Jesus
Só que acho que ele se esqueceu
De dizer que na Terra a gente tem
De arranjar um jeitinho pra viver

Muita gente se arvora a ser Deus
E promete tanta coisa pro sertão
Que vai dar um vestido pra Maria
E promete um roçado pro João
Entra ano, sai ano, e nada vem
Meu sertão continua ao deus-dará
Mas se existe Jesus no firmamento
Cá na Terra isto tem que se acabar

Fonte: Gilberto Gil: todas as letras. Organização Carlos Rennó. São Paulo: Companhia das Letras, 1996.


REPROCISSÃO
Chico César

não se deixe enganar mano
não vai cair maná do céu
nem pão nem peixe nem pastel
mas mande logo um cartão-postal
quando chegar no nirvana
na terra que Jesus prometeu tem dor
tem que dar nosso suor
tem que dançar balé num pé só
tentar levar a pedra ao sopé
e vê-la rolar pela montanha
voar só alado
ou encantado
pela cobra
que rasteja pelo chão
não se deixe enganar mano
semana que vem Deus dará
o tempo de uma semana passar
e o pássaro de giz que o mano é
em transe em terra entranha

Fonte: Fonte: Chico César. Beleza mano. MZA Music/Polygram. 011245-2. 1997.


 HEAVY METAL DO SENHOR
Zeca Baleiro

o cara mais underground que eu conheço é o diabo
que no inferno toca cover das canções celestiais
com sua banda formada só por anjos decaídos
a plateia pega fogo quando rolam os festivais

enquanto isso deus brinca de gangorra no playground
do céu com os santos que já foram homens de pecado
de repente os santos falam "toca deus um som maneiro"
e deus fala "aguenta vou rolar um som pesado"

a banda cover do diabo acho que já tá por fora
o mercado tá de olho é no som que deus criou
com trombetas distorcidas e harpas envenenadas
mundo inteiro vai pirar com o heavy metal do senhor

Fonte: Zeca Baleiro. Por onde andará Stephen Fry? MZA Music. 011241-2. 1997.


GUERRA SANTA
Gilberto Gil

Ele diz que tem que tem como abrir o portão do céu
Ele promete a salvação
Ele chuta a imagem da santa, fica louco, pinel
Mas não rasga dinheiro, não

Ele diz que faz que faz tudo isso em nome de Deus
Como um papa da Inquisição
Nem se lembra do horror da Noite de São Bartolomeu
Não, não lembra de nada, não

Não lembra de nada, é louco, mas não rasga dinheiro
Promete a mansão no paraíso, contando que você pague primeiro
Que você primeiro pague o dinheiro, dê sua doação
E entre no céu levado pelo bom ladrão

Ele pensa que faz do amor sua profissão de fé
Só que faz da fé profissão
Aliás, em matéria de vender paz, amor e axé
Ele não está sozinho, não

Eu até compreendo os salvadores profissionais
Sua feira de ilusões
Só que o bom barraqueiro que quer vender seu peixe em paz
Deixa o outro vender limões

Um vende limões, o outro vende o peixe que quer
O nome de Deus pode ser Oxalá, Jeová, Tupã, Jesus, Maomé
Maomé, Jesus, Tupã, Jeová, Oxalá e tantos mais
Sons diferentes, sim, para sonhos iguais


Fonte: Gilberto Gil: todas as letras. Organização Carlos Rennó. São Paulo: Companhia das Letras, 1996.

17 comentários:

  1. Meu amigo, uma postagem maravilhosa: cheias de textos gostosos e sua crônica sempre bem humorada e crítica! Adorei!
    Afinal, como diz uma frase que vi em algum lugar que não me lembro: "Quem tem a cabeça fechada costuma ter a boca aberta!". E assim são os fanáticos, a qualquer 'intenção', fecham-se em seu mundinho e abrem a boca a tentar ganhar tudo no grito!

    Abração,

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigado, Rodrigo, pelo comentário. Pois é, meu amigo, esse negócio de pregar, pregar, pregar já saturou. Não aguento mais, viu? Tenho até medo de chegar a casa qualquer dia desses e... encontrar uma igreja na sala.
      Abração.

      Excluir
    2. Amigo ... sua casa é uma Igreja (doméstica).
      A familia foi e é a primeira igreja de Cristo.
      Por não saber disso alguns se perdem nas esquinas
      da vida pregando ao vento, o que deveriam viver
      em sua casa. Amei o texto!

      Excluir
  2. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
  3. Prezado amigo, boa noite!

    Todas as letras são ótimas. Conheço as melodias que as acompanham e gosto muito!

    Bela postagem!

    Sigo-te doravante!

    P.S.: Não creio que seja seu estilo de canção, contudo não posso deixar de lembrar de Pastor João, de Raul seixas!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigado, Cristiano, pela visita, pelos comentários. Sobre Raul, conheço uma parte, que considero até interessante, de sua obra. Vou procurar "Pastor João". Valeu a dica! Um abração.

      Excluir
  4. Parafraseando uma professora chamada Beatriz Fraga e que marcou-me muito: "Onde se prolifera igrejas e botecos o nível de cultura é baixíssimo! Não há livrarias e nem espaço para a vivência do conhecimento limpo". Sabe Fábio, esse aprendizado ficou gravado aqui, assusta-me demais as seitas e pessoas que se intitulam igrejas e pregadores da verdade... que verdade??? Eu não sei onde, ainda, há espaço para igrejas em Cachoeiro... é assustador, deveria ser proibido, há algo de errado, há uma inversão de valores aí!!! Sou andante desse mundo de meu Deus e nunca vi um outro lugar com esse fenômeno como aqui no sul do estado... Meu amigo, parece impossível o que vou descrever agora, sabe o que eu encontrei outro dia? Uma igreja de botequim, cujo nome era assim: Igreja Peniana... ... inacreditável não é????? Existe e bem perto de nós!! Comecei a refletir de onde vinha essa palavra, sua origem, seu sentido, suas derivações, suas implicações... por um instante me convenci que, ao chegar em casa pesquisaria todos os sentidos dessa palavra, mas, desisti, não vou perder o meu precioso tempo com isso!! Não sou contra (quaisquer) igreja, sou contra aos abusos, ao mal uso do nome de Deus, ao escândalo ao professar o Santo Nome... também não sou contra os botecos, há quem se encontre neles, na cachaça, mas, que há algo de errado há, por isso, sempre lembro da frase da Bea...
    Sabe cronista, uma outra coisa que me assusta são os discursos moralistas, ah! por detrás deles se escondem muitas coisas, muitos fatos, muitas máscaras... é muito fácil lançar pesados fardos sobre as pessoas e tirá-los dos nossos não acha? Tenho medo das verdades prontas, dos dogmas intocáveis e incontestáveis, da religião que não cumpre a sua função (de re-ligar), por isso, não professo nenhuma religião... prefiro encontrar Deus numa boa leitura, na compaixão pelo que sofre, no amor, na misericórdia, no diálogo discreto, no respeito pelo outro, nas coisas "piquititas" como dizia minha vó, não sendo panteísta, para mim, Deus está em tudo e onde eu quiser encontrá-lo!!
    Vamos dar a Deus o verdadeiro lugar nas nossas vidas... na minha, ele é PAI que acolhe e ama, por vezes MÃE e na maioria das vezes uma gostosa POESIA!!
    Beijo na alma!!!
    Hércules Campos

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Hércules, meu querido, mais uma vez, muitíssimo obrigado pelos comentários... sempre tão lúcidos. Pois é, "mãe Bea" tem razão: onde abundam igrejas e botecos chinfrins, falta cultura. Sobre a proliferação de igrejas, tenho muita pena dos fanáticos, sabia? Como eu disse no texto, ao lado dos oportunistas, caminham os fanáticos. Isso é doloroso. É claro que sempre torcemos para que muitas pessoas acordem. No entanto, talvez seja melhor que algumas nem despertem, sabia? Pode parecer assustador o que estou dizendo. Se acordarem, meu amigo, o choque vai ser muito grande. Talvez nem suportem. Sei lá... Gustavo Bernardo, em seu livro "Redação inquieta", foi maravilhoso ao afirmar que o "dogma é uma sentença que não admite outras". Ou seja, não há discussão. Segundo esse autor, ter fé é outra história. Quem tem fé "é metade hoje metade amanhã, metade verdade metade possibilidade; metade mortal e metade imortal". É isso aí. Um beijo, amigo.

      Excluir
  5. Como diria nosso/seu amigo de BH Jairo... vc está tão ácido!!! Aliás, vc que começou com essa história de que fulano é ácido ao escrever...

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Está pensando que a vida é só "mamão com mel", Fernandinho?! Acidez também está no cardápio.
      Beijos e obrigado pela visita.

      Excluir
  6. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
  7. Respostas
    1. Topo ser seu biógrafo! Ih! Devido ao conteúdo, desconfio de que será "tarja preta".
      Beijos.

      Excluir
  8. Após ler seu texto, fiquei pensando numa encíclica escrita por João Paulo II, intitulada "Fé e Razão",em 1998, e que também discute questões referentes à necessidade de se conciliar o que é ali chamado de "duas asas" que nos elevam a Deus, juntas.

    Muito bom o texto. E é sempre gostoso embasar uma argumentação com arte, com música. Ótimas composições. "Heavy metal do Senhor", então.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Um prazer ler seu comentário. Pois é, as "duas asas" de que nos fala a encíclica de João Paulo II são fundamentais.
      Obrigado pela "visita".
      Abração.

      Excluir
  9. Eu conheço o tal Pastor João e qualquer noite, por aqui mesmo, vou apresentá-lo a você.
    Ah!! Embora seja sua fã, não concordo com o fato de que só aqueles que tiveram acesso à cultura escolar têm condição de fazer uma boa leitura. Até lhe falei, outro dia sobre Solano Trindade - um sapateiro nordestino que "sacudiu" São Paulo.
    Como brincávamos antigamente "cada um é cada um e cada qual é cada qual", por isso, ao lado das "bizarrices" há pessoas que, realmente são movidas e modificadas pela fé e que, por isso, se interessam pelas outras.
    E você, meu amigo, deve ser muito assediado, justamente por ser especial, querido e muito amado por todos (todos é exagero), mas por uma grande maioria, por isso - talvez- receba assim tantos convites.
    De minha parte, peço a Deus todos os dias por você, porque o vejo como alguém "muito mais querido que um irmão".
    Ah!! Concordo com o Fernando.
    Beijos

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Rê, que bom você por aqui! Fico muito feliz, viu? Pois é, sobre as pessoas que "não tiveram acesso à cultura escolar": acho até possível que elas façam uma boa leitura do texto bíblico, mas precisam de alguma assessoria, de alguma orientação, de algum apoio. Sozinhas, sozinhas, abrindo a bíblia e dizendo o que "acham", equívocos e mais equívocos serão inevitáveis. Pior: começam a fazer juízo de valor. O texto bíblico é difícil mesmo. Ah! E continuo acreditando nas pessoas sérias que, de fato, "são movidas e modificadas pela fé". Vejo isso em várias igrejas, em várias religiões. No entanto, há muita "enganação" por aí. Não dá para negar. Ah! Lembro-me, sim, de você ter comentado sobre o Solano Trindade.
      Um beijo, minha amiga.

      Excluir