quarta-feira, 14 de setembro de 2016

MANDAR TUDO "PRA"...



SHANGRILÁ
(Rita Lee e Roberto de Carvalho)

De repente eu me vejo
Amarelada, bodeada, sem ninguém
Nessas horas aparece a preguiça
A vontade de sumir... de vez

Se me der na telha sou capaz
De enlouquecer
E mandar tudo pr´aquele lugar
E fugir com você pra Shangrilá
E me deixar levar
Por um beijo eterno
Por seu corpo envolvente
Mais quente que o inferno



MANDAR TUDO "PRA"...
Por Fábio Brito 
Para os amigos Adriane Fin e Valdinei Guimarães, que "mandaram tudo 'pr'aquele' lugar" e foram atrás de seus sonhos...

Não faz muito tempo, colegas de trabalho - preocupados - mostraram-me o texto "A geração que encontrou o sucesso no pedido de demissão", de Ruth Manus. Não foi difícil encontrar o porquê da preocupação de meus amigos: é que deve ter batido "aquela" culpa quase mortal que acomete boa parte (a maioria) dos de minha geração (e de gerações anteriores também). E essa culpa tem uma explicação bem simples: somos a geração da frouxura. É isso mesmo! Somos uns tremendos frouxos! E nem tenho como consolo dizer que é tarefa difícil tentar encontrar o comecinho de nossa frouxura. É nada! É muito fácil, simplesmente porque "tô" no meio dessa galera. Faço parte dessa tribo, a da frouxidão. E é fácil "pra" caramba encontrar os porquês de sermos assim... 
Costumo dizer que minha geração foi criada para o futuro: as pessoas se casavam pensando no futuro; tinham filhos pensando no futuro; "optavam" por determinado emprego, que estava longe da vocação, pensando no futuro; "escolhiam" certo curso superior pensando no futuro. Só dava futuro em nosso pedaço. Ou seja, pensávamos somente no futuro. Pensávamos não! Pensavam por nós! Nossos pais, nossos avós, nossos tios, nossos vizinhos, nossos amigos... todo o mundo, "né"? Nossas vontades e nossos desejos, que deveriam vir em primeiro plano, ficavam sempre para depois, ou seja, ficavam para o futuro. O presente daquele tempo (que, hoje, é passado) não interessava muito ou quase nada. Quando o futuro fosse presente, este seria bom. Belo consolo. 
A engrenagem funcionava mais ou menos assim: não havia problema em "comer o pão que o diabo amassou", porque, futuramente, esse pão amassado pelo "cãozinho" seria ressimbolizado. No futuro, ele seria transformado numa espécie de "pão da salvação". No futuro, seríamos, enfim, felizes. "Aguente firme, irmão, que o tempo passa rapidamente" era uma espécie de mantra que reverberava o tempo inteiro em nossas cabeças pragmáticas e utilitaristas. 
Só que o futuro demorou para chegar. É, meu irmão, o esperado trem-bala que nos levaria ao futuro cor-de-rosa estava mais para charrete. E não foi fácil comer tanto pão amassado. Engulhos e queimação no estômago não faltaram! Ainda bem que vimos o bendito futuro chegar, continuam dizendo alguns, ainda iludidos. Que consolo mais besta! Porque éramos bem novos, não dávamos - havia as exceções - muita importância às escolhas tortas que faziam por nós. Tínhamos certeza de que o futuro chegaria (estou sendo redundante mesmo!) e que, apascentados e felizes, desfrutaríamos, enfim, da felicidade que havíamos deixado lá atrás. Ela só ficou guardada, dirão muitos de meus contemporâneos. Ela só ficou à nossa espera, quietinha, num estojo de seda, não é mesmo? Vai nessa!  
Pois é, e ele, o tal futuro, chegou. Como você demorou a chegar, meu caro! E, a reboque desse tão esperado futuro, o que mais vejo é gente frustrada e infeliz. Muitos deixaram para trás o curso com que sempre sonharam simplesmente porque era necessário um que fosse mais "objetivo", digamos assim, e que abrisse portas para um concurso público, o sonho de consumo de quase toda a minha geração. Vislumbrar um concurso público equivalia a adorar um novo bezerro de ouro. Parênteses aqui: até hoje, para muitos, "o" sonho dourado é o tal concurso público. Acreditam que vão ganhar horrores e que vão trabalhar pouco. Quando caem em si, chegam à conclusão de que o tal bezerro, entronizado dentro de muitos, tem, hoje, uma liga muito baixa. São poucos - minoria mesmo - os que caem em si, vale dizer...
Bom, depois de terem passado no tal concurso, a vida - principalmente a financeira - está estabilizada, mas pode ficar melhor ainda. Para tanto, basta não se acomodar na empresa (os acomodados são malvistos pelos chefes). É imprescindível, então, que se galguem (gostam muito desse verbo) novas posições. Se vão passar por cima de quaisquer princípios éticos, isso é outra história. O mais importante é que estão "subindo na empresa". Em pouco tempo, numa velocidade incrível, tornam-se chefes e podem, assim, mandar (gostam muito desse verbo também) nos que não quiseram subir, que não ambicionaram nada. 
Vamos lá! Emprego público garantido (e sendo chefes!), é chegada a hora adquirir, no mínimo, um imóvel. Adivinhemos por quê. Brevemente, chegará o casamento, é óbvio (está indo tudo conforme o planejado). Com imóvel comprado (de preferência apartamento em bairro nobre e com o condomínio bem alto), não dá mais para esperar: chega o tão esperado casamento. Todo o mundo fica feliz. Recepção chique à beça (no melhor clube da cidade) e lua de mel no exterior. "Eita"! Nada deu errado até agora... e nem poderia dar! O que falta, então? Filhos, claro!
Chega a prole. A tão esperada prole. Encurtando a história, que todos nós já conhecemos, o tempo da infância é curto e, portanto, a criançada cresce rapidamente. Em poucos anos, os filhos já estão morando noutras cidades ou juntando seus trapinhos (os "certinhos" vão seguir o mesmo mapa dos pais). Pronto! A casa, outrora cheia de gente, está praticamente vazia. A aposentadoria já está batendo à porta, a solidão se insinua e lá vem a culpa. Aquela lá do início do texto. Pois é, o emprego não era o que queriam; o casamento até que trouxe felicidade; os filhos deram, sim, alegrias, mas já não estão mais em casa... O pior de tudo é constatarem que não estão felizes depois de tudo o que fizeram. O que faltou? Faltou você ser você, cara pálida! Faltou, talvez, abandonar o emprego certinho e tão desejado e ir vender picolé numa praia bem distante da chamada civilização. Faltou dar este grito: TÔ FORA! 



A GERAÇÃO QUE ENCONTROU O SUCESSO NO PEDIDO DE DEMISSÃO
Carpe diem
Ruth Manus
O cenário é mais ou menos este: amigo formado em comércio exterior que resolveu largar tudo para trabalhar num hostel em Morro de São Paulo, amigo com cargo fantástico em empresa multinacional que resolveu pedir as contas porque descobriu que só quer fazer hamburger, amiga advogada que jogou escritório, carrão e namoro longo pro alto para voltar a ser estudante, solteira e andar de metrô fora do Brasil, amiga executiva de um grande grupo de empresas que ficou radiante por ser mandada embora dizendo “finalmente vou aprender a surfar”.
Você pode me dizer “ah, mas quero ver quanto tempo eles vão aguentar sem ganhar bem, sem pedir dinheiro para os pais”. Nada disso. A onda é outra. Venderam o carro, dividem apartamento com mais 3 amigos, abriram mão dos luxos, não ligam de viver com dinheiro contadinho. O que eles não podiam mais aguentar era a infelicidade.
Engraçado pensar que o modelo de sucesso da geração dos nossos avós era uma família bem estruturada. Um bom casamento, filhos bem criados, comida na mesa, lençóis limpinhos. Ainda não havia tanta guerra de ego no trabalho, tantas metas inatingíveis de dinheiro. Pessoa bem sucedida era aquela que tinha uma família que deu certo.
E assim nossos avós criaram os nossos pais: esperando que eles cumprissem essa grande meta de sucesso, que era formar uma família sólida. E claro, deu tudo errado. Nossos pais são a geração do divórcio, das famílias reconstruídas (que são lindas, como a minha, mas que não são nada do que nossos avós esperavam). O modelo de sucesso dos nossos avós não coube na vida dos nossos pais. E todo mundo ficou frustrado.
Então nossos pais encontraram outro modelo de sucesso: a carreira. Trabalharam duro, estudaram, abriram negócios, prestaram concurso, suaram a camisa. Nos deram o melhor que puderam. Consideram-se mais ou menos bem sucedidos por isto: há uma carreira sólida? Há imóveis quitados? Há aplicações no banco? Há reconhecimento no meio de trabalho? Pessoa bem sucedida é aquela que deu certo na carreira.
E assim nossos pais nos criaram: nos dando todos os instrumentos para a nossa formação, para garantir que alcancemos o sucesso profissional. Nos ensinaram a estudar, investir, planejar. Deram todas as ferramentas de estudo e nós obedecemos. Estudamos, passamos nos processos seletivos, ocupamos cargos. E agora? O que está acontecendo?
Uma crise nervosa. Executivos que acham que seriam mais felizes se fossem tenistas. Tenistas que acham que seriam mais felizes se fossem bartenders. Bartenders que acham que seriam mais felizes se fossem professores de futevôlei.
Percebemos que o sucesso profissional não nos garante a sensação de missão cumprida. Nem sabemos se queremos sentir que a missão está cumprida. Nem sabemos qual é a missão. Nem sabemos se temos uma missão. Quem somos nós?
Nós valorizamos o amor e a família. Mas já estamos tranquilos quanto a isso. Se casar, tudo bem; se separar, tudo bem; se decidir não ter filhos, tudo bem. O que importa é ser feliz. Nossos pais já quebraram essa para a gente, já romperam com essa imposição. Será que, agora, nós temos de romper com a imposição da carreira?
Não está na hora de aceitarmos que, se alguém quiser ser CEO de multinacional, tudo bem, se quiser trabalhar num café, tudo bem, se quiser ser professor de matemática, tudo bem, se quiser ser um eterno estudante, tudo bem, se quiser fazer brigadeiro para festas, tudo bem?
Afinal, qual o modelo de sucesso da nossa geração?
Será que vamos continuar nos iludindo achando que nossa geração também consegue medir sucesso por conta bancária? Ou o sucesso, para nós, está naquela pessoa de rosto corado e de escolhas felizes? Será que sucesso é ter dinheiro sobrando e tempo faltando ou dinheiro curto e cerveja gelada? Apartamento fantástico e colesterol alto ou casinha alugada e horta na janela? Sucesso é filho voltando de transporte escolar da melhor escola da cidade ou é filho que você busca na escolinha do bairro e para para tomar picolé de uva com ele na padaria?
Parece-me que precisamos aceitar que nosso modelo de sucesso é outro. Talvez uma geração carpe diem. Uma geração de hippies urbanos. Caso contrário, não teríamos tanta inveja oculta dos amigos loucos que “jogaram diploma e carreira no lixo”. Talvez - mera hipótese - os loucos sejamos nós, que jogamos tanto tempo, tanta saúde e tanta vida, todo santo dia, no lata de lixo.
http://vida-estilo.estadao.com.br/blogs/ruth-manus/a-geracao-que-encontrou-o-sucesso-no-pedido-de-demissao/ (com alterações)


APRENDENDO A VIVER
Clarice Lispector

Thoreau era um filósofo americano que, entre coisas mais difíceis de se assimilar assim de repente, numa leitura de jornal, escreveu muitas coisas que talvez possam nos ajudar a viver de um modo mais inteligente, mais eficaz, mais bonito, menos angustiado.
Thoreau, por exemplo, desolava-se vendo seus vizinhos só pouparem e economizarem para um futuro longínquo. Que se pensasse um pouco no futuro, estava certo. Mas “melhore o momento presente”, exclamava. E acrescentava: “Estamos vivos agora”. E comentava com desgosto: “Eles ficam juntando tesouros que as traças e a ferrugem irão roer e os ladrões roubar”.
A mensagem é clara: não sacrifique o dia de hoje pelo de amanhã. Se você se sente infeliz agora, tome alguma providência agora, pois só na sequência dos agoras é que você existe.
Cada um de nós, aliás, fazendo um exame de consciência, lembra-se pelo menos de vários agoras que foram perdidos e que não voltarão mais. Há momentos na vida que o arrependimento de não ter tido ou não ter sido ou não ter resolvido ou não ter aceito, há momentos na vida em que o arrependimento é profundo como uma dor profunda.
Ele queria que fizéssemos agora o que queremos fazer. A vida inteira Thoreau pregou e praticou a necessidade de fazer agora o que é mais importante para cada um de nós.
Por exemplo: para os jovens que queriam tornar-se escritores mas que contemporizavam — ou esperando uma inspiração ou se dizendo que não tinham tempo por causa de estudos ou trabalhos — ele mandava ir agora para o quarto e começar a escrever.
Impacientava-se também com os que gastam tanto tempo estudando a vida que nunca chegam a viver. “É só quando esquecemos todos os nossos conhecimentos que começamos a saber”.
E dizia esta coisa forte que nos enche de coragem: “Por que não deixamos penetrar a torrente, abrimos os portões e pomos em movimento toda a nossa engrenagem?” Só em pensar em seguir o seu conselho, sinto uma corrente de vitalidade percorrer-me o sangue. Agora, meus amigos, está sendo neste próprio instante.
Thoreau achava que o medo era a causa da ruína dos nossos momentos presentes. E também as assustadoras opiniões que nós temos de nós mesmos. Dizia ele: “A opinião pública é uma tirana débil, se comparada à opinião que temos de nós mesmos”. É verdade: mesmo as pessoas cheias de segurança aparente julgam-se tão mal que no fundo estão alarmadas. E isso, na opinião de Thoreau, é grave, pois “o que um homem pensa a respeito de si mesmo determina, ou melhor, revela seu destino”.
E, por mais inesperado que isso seja, ele dizia: tenha pena de si mesmo. Isso quando se levava uma vida de desespero passivo. Ele então aconselhava um pouco menos de dureza para com eles próprios. O medo faz, segundo ele, ter-se uma covardia desnecessária. Nesse caso devia-se abrandar o julgamento de si próprio. “Creio”, escreveu, “que podemos confiar em nós mesmos muito mais do que confiamos. A natureza adapta-se tão bem à nossa fraqueza quanto à nossa força”. E repetia mil vezes aos que complicavam inutilmente as coisas — e quem de nós não faz isso? —, como eu ia dizendo, ele quase gritava com quem complicava as coisas: simplifique! simplifique!
E um dia desses, abrindo um jornal e lendo um artigo de um nome de homem que infelizmente esqueci, deparei com citações de Bernanos que na verdade vêm completar Thoreau, mesmo que aquele jamais tenha lido este.
Em determinado ponto do artigo (só recortei esse trecho) o autor fala que a marca de Bernanos estava na veemência com que nunca cessou de denunciar a impostura do “mundo livre”. Além disso, procura a salvação pelo risco – sem o qual a vida para ele não vale a pena – “e não pelo encolhimento senil,  que não é só dos velhos, é de todos os que defendem as suas posições, inclusive ideológicas, inclusive religiosas” (o grifo é meu).
Para Bernanos, dizia o artigo, o maior pecado sobre a terra era a avareza, sob todas as formas. “A avareza e o tédio danam o mundo”. “Dois ramos, enfim, do egoísmo”, acrescenta o autor do artigo.
Repito por pura alegria de viver: a salvação é pelo risco, sem o qual a vida não vale a pena!




8 comentários:

  1. Que lindo, amigo! Você é muito especial pra mim e sempre me emociona com suas palavras. Nada difícil de entender porque esse aperto no peito, a cada vez que preciso unicamente daquele nosso abraço gostoso, das risadas, das conversas sinceras... ainda bem que temos boas lembranças e que fazemos questão de manter sempre vivas. Obrigada por fazer parte dessa minha vida 'cigana', como sua mãe sempre fez questão de frisar... "você só pode ter sangue cigano" (risos). Um beijo imenso e cheio de saudade!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Amiga Adriane, pois é, esse "aperto no peito" é constante, tamanha é a saudade que temos. Você é "pra" lá de especial. Pois é, seu ciganear é um trunfo. Algo muito precioso. Como bem disse Rosa em "Grande sertão: veredas", "amizade dada é amor". É isso. Beijos imensos.

      Excluir
  2. Impossível não lembrar da Dri... Ótimo texto, Fábio. Retrata a realidade da maioria, infelizmente!
    Grande abraço, meu amigo.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigado, Luiz, pela leitura. Tenho certeza de que você não está engrossando as estatísticas dos que fazem o que não querem. Você também está "indo atrás de seu sonho". Está fora da turma da "frouxidão". Abraços, meu querido.

      Excluir
  3. Adriane é uma das poucas pessoas que conheço que não é frouxa!!!
    Se a coisa não agrada e/ou começa a cair na mesmice vai conquistar outras terras e ares... Fã da coragem dela!!!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Por isso, o texto é dedicado a ela. Corajosa mesmo! Obrigado, Fê, pela leitura, pela atenção, pelo carinho.

      Excluir
  4. Caro e brilhante mestre...para variar, preciosa e primorosamente você deu conta de mais um recado bem dadíssimo. Nada excede e nada falta, na minha modesta conceituação... ou seria por afinidade eletiva? As escolhas são mais do que elogiáveis para a riqueza dos textos da Clarice (dela, sou quase adicto rs) e da Ruth Manus, de quem destaco:"Percebemos que o sucesso profissional não nos garante a sensação de missão cumprida. Nem sabemos se queremos sentir que a missão está cumprida. Nem sabemos qual é a missão. Nem sabemos se temos uma missão. Quem somos nós?"."Voilà"!

    Acontece que, como sempre e para quase tudo, desconfio que nasci na contramão (seria, no meu caso, "contrapé?! rs) . Pode ficar pasmado, entendo...Acontece que até hoje não sei qual seria a profissão a escolher . Nenhuma particular ou exclusivamente. Imagine o sufoco que foi , ainda adolescente (priscas eras rs) , ter de definir o que fazer para ganhar algum dinheiro , profissionalmente. Independência e liberdade sempre foram minhas buscas, meus anseios. A sorte é que jamais fui ganancioso ou competitivo. Nem carro e etc. possuo e nem quero. Logicamente que havia (e ainda há) convicção íntima daquelas "ralaçoes" que não teriam a menor chance. Tempos depois descobri a origem etimológica da palavra trabalho, que é
    Tripalium , um instrumento de tortura constituído de três estacas de madeira bastante afiadas e que era comum em tempos remotos na Europa.

    Desse modo, originalmente, "trabalhar" significava “ser torturado”.A partir do latim, o termo passou para o francês travailler, que significa “sentir dor” ou “sofrer”. Com o passar do tempo, o sentido da palavra passou a significar “fazer uma atividade exaustiva” ou “fazer uma atividade difícil, dura”. Você pode e deve continuar pasmado em saber que jamais senti tesão por trabalhar, embora com a plena consciência desta necessidade , labutando desde os quinze anos...para não depender financeiramente de ninguém. Digo que tenho alma de nobre feudal mas, com o bolso plebeu, o trampo não pôde ser evitado. Ainda bem que descobri , a tempo, o segredo essencial para a sobrevivência de seres estranhos como eu, desinteressados ou sem atração pela escravidão rs laboral . Neste caso, temos de trabalhar melhor e com mais bom humor do que os apaixonados pela labuta, afinal, com erros ou má vontade, temos de fazer de novo o que não gostamos. Gosto de repetir somente o que dá prazer. Na verdade só sinto-me pleno quando posso escolher não trabalhar. Ato contínuo, sinto uma paixão avassaladora por férias , feriados e fins de semana. Confesso que viver para apreciar e valorizar a arte genuína (destaco a divina música de excelência) , a exuberante natureza, viagens, leituras, ajuda ao próximo necessitado, encontros com amigos queridos e inúmeros outros prazeres satisfaz-me ampla, geral e irrestritamente. Desnecessário dizer que , sem identificação de qualquer espécie, admito aqueles que colocam o trabalho em primeiro lugar e, mesmo com excelente situação financeira, dele não abrem mão. Minha admiração e meu carinho. Bjs.

    http://www.citador.pt/textos/respeite-a-voce-mais-do-que-aos-outros-clarice-lispector

    Respeite a Você Mais do que aos Outros - Clarice Lispector ...
    www.citador.pt
    Não pense que a pessoa tem tanta força assim a ponto de levar qualquer espécie de vida e continuar a mesma. (...) Nem sei como lhe explicar minha alma. Mas o que ...



    Vamos Dançar
    Ed Motta


    Eu não nasci pra trabalho
    Eu não nasci pra sofrer
    Eu percebi que a vida
    É muito mais que vencer

    Já dirigi automóveis
    Já consumi capital
    Já decidi que o dinheiro
    Não vai pagar, não vai pagar a minha paz

    Vamos dançar lá na rua
    Vamos dançar pra valer
    Vamos dançar enquanto é tempo
    Nos aplicar a viver

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Querido amigo Marcos, mais uma vez, seu comentário é um texto brilhante, irretocável. Pois é, meu querido, sempre vi em você exatamente o que você é: uma pessoa liberta. Você está muito longe da mentalidade tacanha que impera, hoje, neste mundo em que as pessoas só pensam em dinheiro, dinheiro, dinheiro. É certo que boa parte de minha admiração por você vem daí. Vem desse seu modo de ser que paira muito acima da média. "Eita"! Vez ou outra, também teço comentários sobre a origem da palavra "trabalho". Ai, que dor! Também sou apaixonado por férias, feriados e fins de semana, meu amigo. "No mais", um beijo imenso e muito, muito obrigado pela leitura, pela atenção, pelas palavras carinhosas.

      Excluir